Para abrir um CNPJ como prestador de serviços em 2026, você precisa seguir seis etapas: escolher o tipo de empresa (MEI, SLU ou LTDA), definir os CNAEs das suas atividades, elaborar o contrato social, registrar a empresa na Junta Comercial pelo sistema Redesim, obter a inscrição municipal e o alvará, e escolher o regime tributário — em geral, o Simples Nacional. Todo o processo é digital na maioria das cidades e costuma levar de 3 a 15 dias úteis.
Os custos ficam, na maioria dos casos, entre R$ 350 e R$ 650: taxas da Junta Comercial (cerca de R$ 200 a R$ 400, variando por estado) e certificado digital (cerca de R$ 150 a R$ 250 por ano). Com uma contabilidade digital como a Numeos, a abertura em si costuma sair de graça — você paga apenas as taxas públicas. Neste guia, você vai entender cada etapa em detalhes, quanto custa, quanto tempo leva e quais erros evitar para não pagar imposto a mais desde o primeiro mês.
O que você precisa antes de começar
Antes de entrar em qualquer sistema do governo, vale organizar algumas definições e documentos. Isso evita retrabalho — boa parte das aberturas que travam no meio do caminho trava por falta de planejamento, não por burocracia.
Você vai precisar de:
- Documentos pessoais: RG, CPF, comprovante de endereço e título de eleitor (ou recibo da última declaração de IR);
- Endereço da empresa: pode ser comercial, residencial (na maioria das cidades, para serviços intelectuais) ou um escritório virtual — verifique as regras da sua prefeitura;
- Nome empresarial: a razão social precisa estar disponível na Junta Comercial do seu estado;
- Capital social: o valor que você declara investir na empresa. Não existe mínimo legal para SLU e LTDA, mas o valor deve ser coerente com a atividade;
- Definição das atividades: o que exatamente você vai fazer — isso determina os CNAEs e impacta diretamente os impostos.
Se você ainda está no emprego formal e avalia a transição, vale ler antes o nosso comparativo entre CLT e PJ para entender o que muda em remuneração, benefícios e tributos — e confirmar que a mudança compensa no seu caso.
Outro ponto importante: se a proposta de PJ veio do seu empregador atual, atenção à chamada “pejotização”. Prestar serviço como PJ com subordinação, horário fixo e exclusividade pode caracterizar vínculo empregatício. O ideal é estruturar o contrato de prestação de serviços corretamente desde o início.
Escolha do tipo de empresa: MEI, SLU ou LTDA
Essa é a primeira decisão relevante, porque define limite de faturamento, proteção patrimonial e quais atividades você pode exercer.
| Tipo | Limite de faturamento | Sócios | Indicado para |
|---|---|---|---|
| MEI | R$ 81.000/ano | Só você | Atividades operacionais permitidas, faturamento baixo |
| SLU | Sem limite próprio | Só você | Profissionais liberais e serviços intelectuais, sem sócio |
| LTDA | Sem limite próprio | 2 ou mais | Quem vai empreender com sócios |
O MEI é o formato mais barato e simples: o DAS mensal de serviços custa R$ 86,05 em 2026. Mas ele tem duas limitações sérias para prestadores de serviços. A primeira é o teto de R$ 81 mil por ano (R$ 6.750/mês proporcional no ano de abertura) — quem fatura mais do que isso é desenquadrado. A segunda é a lista de atividades: profissões regulamentadas de natureza intelectual, como médicos, advogados, engenheiros, psicólogos, desenvolvedores e consultores, não podem ser MEI.
A SLU (Sociedade Limitada Unipessoal) é, na prática, o formato padrão para o prestador de serviços que atua sozinho. É uma LTDA de um sócio só: não exige capital mínimo, separa o patrimônio pessoal do empresarial e não tem limite de faturamento próprio. Desde 2019, ela substitui a antiga EIRELI (extinta em 2021).
A LTDA tradicional é o caminho natural quando há dois ou mais sócios — comum em clínicas, escritórios e agências.
Preparamos um guia completo comparando MEI, SLU e LTDA para você escolher o tipo societário certo antes de registrar a empresa — trocar depois é possível, mas dá mais trabalho do que acertar de primeira.
Escolha do CNAE de serviços
O CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é o código que identifica o que a sua empresa faz. Toda empresa tem um CNAE principal e pode ter CNAEs secundários — e essa escolha não é só burocrática: ela define em qual anexo do Simples Nacional você cai, qual a alíquota de ISS na sua cidade e se você pode ou não emitir nota para determinado serviço.
Três cuidados práticos:
- Inclua todas as atividades que você pretende exercer, mesmo as eventuais. Emitir nota fiscal de um serviço que não está no seu cartão CNPJ pode gerar autuação;
- Não exagere: CNAEs que você nunca vai usar podem exigir licenças adicionais ou atrapalhar o enquadramento tributário;
- Verifique o impacto tributário de cada código: dois CNAEs parecidos podem cair em anexos diferentes do Simples, com alíquotas iniciais que vão de 6% a 15,5%.
Para escolher os códigos certos para a sua profissão, consulte nosso guia de CNAE para prestação de serviços, com os códigos mais usados por médicos, desenvolvedores, consultores, psicólogos, engenheiros e outros profissionais.
💬 Fale com um especialista da Numeos — escolher o tipo de empresa e o CNAE errados pode custar caro todo mês. Chame no WhatsApp e tire suas dúvidas sem compromisso.
Regime tributário: Simples Nacional ou Lucro Presumido
O regime tributário define como a sua empresa paga impostos — e a escolha errada aqui é o erro mais caro que um prestador de serviços pode cometer.
O Simples Nacional reúne os tributos em uma guia única (DAS) e atende empresas com faturamento de até R$ 4,8 milhões por ano. Para serviços, existe um detalhe decisivo: o Fator R. Se a sua folha de pagamento (incluindo o pró-labore e encargos) dos últimos 12 meses representar 28% ou mais da receita bruta, você é tributado pelo Anexo III, que começa em 6%. Abaixo de 28%, cai no Anexo V, que começa em 15,5% — uma diferença que pode significar milhares de reais por mês.
O Lucro Presumido tributa uma margem presumida de 32% da receita de serviços. Na prática, a carga federal típica fica em torno de 11,33% da receita, mais ISS municipal de 2% a 5% — algo entre 13,33% e 16,33% no total. Ele pode compensar para faturamentos mais altos ou situações específicas, como médicos em sociedades com equiparação hospitalar, em que a carga federal pode cair para perto de 5,7%.
| Critério | Simples Nacional | Lucro Presumido |
|---|---|---|
| Limite de faturamento | R$ 4,8 milhões/ano | Sem limite prático para PMEs |
| Alíquota inicial (serviços) | 6% (Anexo III) ou 15,5% (Anexo V) | ~13,33% a 16,33% da receita |
| Guias | Uma (DAS) | Várias (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, ISS) |
| Ponto de atenção | Fator R (folha ≥ 28% da receita) | Adicional de IRPJ e ISS municipal |
Em 2026 há ainda um detalhe novo: a fase de testes da reforma tributária, com CBS de 0,9% e IBS de 0,1% destacados na nota fiscal — mas compensáveis com PIS/COFINS, ou seja, sem aumento real de carga neste ano. Quem cumprir a obrigação acessória fica dispensado do recolhimento-teste, e o Simples Nacional mantém seu regime próprio.
Não existe resposta única: a melhor escolha depende do seu faturamento, da sua atividade e de quanto você retira de pró-labore. Fizemos as contas detalhadas no comparativo Simples Nacional ou Lucro Presumido — e, em todo caso, vale ter um contador analisando os números do seu cenário específico antes de decidir.
Passo a passo do registro do CNPJ
Com as definições acima em mãos, o registro em si segue um fluxo padronizado pelo Redesim, o sistema nacional que integra Junta Comercial, Receita Federal, estado e prefeitura em um processo único e digital.
- Consulta de viabilidade: verifica se o nome empresarial está disponível e se o endereço escolhido permite a atividade pretendida (análise da prefeitura). Costuma sair em poucas horas ou dias;
- Elaboração do contrato social: o documento que formaliza a empresa — atividades, capital social, endereço, administração. Na SLU, é o ato constitutivo de sócio único;
- Registro na Junta Comercial: o pedido é protocolado via Redesim com o contrato social e os documentos pessoais. Com o deferimento, o CNPJ é emitido automaticamente — não existe mais uma etapa separada na Receita Federal;
- Inscrição municipal e alvará: a prefeitura emite a inscrição municipal (necessária para recolher ISS e emitir nota fiscal de serviços) e as licenças de funcionamento. Para atividades de baixo risco, a liberação costuma ser imediata ou dispensada;
- Certificado digital: o e-CNPJ é a identidade eletrônica da empresa, necessária para emitir notas fiscais e cumprir obrigações;
- Opção pelo Simples Nacional: atenção ao prazo — em geral, 30 dias após o deferimento da inscrição municipal ou estadual, respeitando o limite contado a partir do CNPJ. Perdeu a janela? Só no ano seguinte, em janeiro, e até lá a empresa fica em regime mais caro;
- Configuração da emissão de notas: cadastro no sistema de NFS-e da prefeitura (ou no emissor nacional) para começar a faturar.
Com uma contabilidade digital cuidando do processo, sua participação ativa se resume a enviar documentos e assinar digitalmente — o resto é acompanhamento.
Quanto custa e quanto tempo leva para abrir um CNPJ
Os custos de abertura de uma SLU ou LTDA de serviços em 2026 são, na maioria dos casos, os seguintes:
| Item | Valor típico |
|---|---|
| Taxas da Junta Comercial | R$ 200 a R$ 400 (varia por estado) |
| Certificado digital e-CNPJ | R$ 150 a R$ 250/ano |
| Honorários de abertura | R$ 0 em contabilidades digitais como a Numeos |
| Taxas municipais (alvará) | Varia por cidade; muitas isentam baixo risco |
O prazo típico é de 3 a 15 dias úteis, dependendo principalmente da agilidade da Junta Comercial do estado e da prefeitura. Capitais com processos totalmente digitais costumam ficar no limite inferior; cidades com análise manual de viabilidade podem demorar mais.
Depois da abertura, entra o custo recorrente da contabilidade mensal — obrigatória para SLU e LTDA — além dos tributos sobre o faturamento e do INSS sobre o pró-labore (11%, o que dá R$ 178,31/mês sobre o pró-labore mínimo de R$ 1.621,00 em 2026). Uma boa notícia: com a nova lei da isenção do IR, pró-labore de até R$ 5.000/mês não paga Imposto de Renda em 2026.
Erros comuns ao abrir CNPJ de serviços (e como evitar)
Alguns erros aparecem com frequência em empresas abertas às pressas ou sem orientação:
- Abrir MEI sem poder: profissões intelectuais regulamentadas não cabem no MEI. Quem se registra assim corre risco de desenquadramento com cobrança retroativa;
- Escolher CNAE errado ou incompleto: trava a emissão de notas e pode jogar a empresa no anexo mais caro do Simples;
- Ignorar o Fator R: prestador que não planeja o pró-labore pode pagar 15,5% (Anexo V) quando poderia pagar 6% (Anexo III). No exemplo de uma empresa faturando R$ 30 mil/mês, a diferença chega a cerca de R$ 2.400/mês;
- Perder o prazo do Simples Nacional: sem a opção dentro da janela, a empresa passa meses em regime mais caro;
- Usar endereço irregular: registrar a empresa em endereço que a prefeitura não aprova para a atividade trava o alvará e a nota fiscal;
- Misturar contas PF e PJ: dificulta a comprovação de lucros isentos e a organização contábil desde o primeiro mês.
Nenhum desses erros é irreversível, mas todos custam tempo e dinheiro — e a maioria é evitável com uma análise profissional antes do registro. Cada caso tem particularidades, e a recomendação de tipo societário, CNAE e regime deve sempre ser validada por um contador.
Perguntas frequentes
Quanto custa abrir um CNPJ para prestador de serviços em 2026?
Em geral, entre R$ 350 e R$ 650: taxas da Junta Comercial (R$ 200 a R$ 400, conforme o estado) e certificado digital (R$ 150 a R$ 250/ano). Contabilidades digitais como a Numeos costumam não cobrar honorários de abertura — você paga apenas as taxas públicas.
Quanto tempo demora para abrir um CNPJ?
O prazo típico é de 3 a 15 dias úteis, variando conforme a Junta Comercial do estado e a prefeitura. Em cidades com processo totalmente digital via Redesim e atividades de baixo risco, a abertura pode ser concluída na parte inferior dessa faixa.
Posso abrir CNPJ sozinho, sem sócio?
Sim. A SLU (Sociedade Limitada Unipessoal) permite abrir uma limitada com um único sócio, sem capital mínimo e com patrimônio pessoal separado do empresarial. É o formato mais usado por prestadores de serviços que não podem ou não querem ser MEI.
Médico, advogado ou desenvolvedor pode ser MEI?
Não, na maioria dos casos. Profissões regulamentadas de natureza intelectual — como médicos, advogados, engenheiros, psicólogos e desenvolvedores em atividades de consultoria — não estão na lista de ocupações permitidas ao MEI. Para esses profissionais, o caminho usual é a SLU no Simples Nacional.
Preciso de contador para abrir a empresa?
Para SLU e LTDA, a contabilidade é obrigatória na rotina da empresa, e o apoio de um contador na abertura evita erros de CNAE e de regime tributário que custam caro depois. Só o MEI é dispensado de contabilidade formal.
Abrir o CNPJ certo, com o CNAE certo e no regime certo, é o que separa um PJ que paga 6% de imposto de um que paga 15,5% sobre o mesmo faturamento. E você não precisa enfrentar Junta Comercial, Redesim e prefeitura sozinho.
Abra sua empresa grátis com a Numeos: nosso time cuida de todo o processo — do contrato social à opção pelo Simples Nacional — e você só paga as taxas públicas. Comece agora e saia do zero ao CNPJ pronto para faturar.

